segunda-feira, 25 de junho de 2012
Amor fatal - Cap.1
Era uma noite calma de verão, mas Dora sentia frio. Seu cabelo preto brilhava à luz da lua, e seus olhos negros fitavam o reflexo na água. Sangue começou a escorrer pelo canto de sua boca. Dora chorava. Uma mão tocou seu ombro; a jovem se virou para seu assassino, sorriu pela última vez.
Tudo começara em uma noite como aquela. Dora estava em um parque à noite, caminhando. Fazia alguns dias que a insônia a incomodava, os passeios estavam se tornando frequentes. O parque parecia mais calmo à noite, apenas o barulho do vento e o brilho das estrelas. Era uma sensação de tranquilidade que acalmava o coração inquieto dela. Faziam exatamente três meses que seu noivo falecera em um acidente de carro. Ainda era difícil acreditar que todo aquele pesadelo estava mesmo acontecendo, era como se uma parte da vida de Dora fosse roubada. Mas ela não desistiria de viver, precisava continuar por ele. Lágrimas vinham toda vez que lembrava do rosto de seu amado, daria tudo para vê-lo novamente.
A chuva começou a cair, mas Dora não se importou. Continuou caminhando até chegar à pequena capela no fim do parque, onde encolheu-se em um canto e adormeceu. Um pouco depois, acordou com um barulho estranho. Levantou-se assustada, era hora de voltar para casa. Correu pelo parque procurando a saída, mas não conseguia ver direito por onde ia. Parou por alguns minutos, já não sabia mais onde estava. Parou e tentou se acalmar, sentou-se embaixo de uma árvore e olhou fixamente para o céu. Ouviu passos. Uma silhueta surgiu em sua frente, era um homem ruivo, esbelto e de olhos verdes. Era ele. O coração de Dora disparou. Pensou estar sonhando, mas o frio e a chuva gelada em sua pele a mantinham bem acordada.
- Você está bem?
Dora continuava boquiaberta. Esfregou os olhos, o homem continuava lá.
- Erick...?
- Desculpe, acho que está me confundindo com alguém.
Dora não conseguiu mais falar. A semelhança era muita e seu coração estava cada vez mais apertado. Mal prestava atenção no que ele dizia, mas levantou-se e foi com ele. Balbuciava algumas respostas, ainda estava assustada. Não gostava de falar com estranhos, mas aquele homem não parecia ser um desconhecido; Dora sentia que já o conhecia. Saíram do parque e caminharam pelas ruas desertas da cidade em meio à chuva. Alguns minutos depois, pararam.
- Pronto, chegamos. É aqui que você mora, certo?
Dora olhou para o prédio, estava em casa. Quando foi que isso aconteceu?
-S-sim...
- Bom, está entregue. Tome mais cuidado da próxima vez, é perigoso andar sozinha a essa hora.
- Sim, obrigada.
- Até a próxima!
Ficou olhando o homem se afastar. Quando não o via mais, entrou em casa. Jogou-se na cama e apagou. Pela primeira vez em dias, Dora dormiu tranquila.
CONTINUA
domingo, 25 de março de 2012
O caso San Zhi - Final
Dia 22 de junho de 1988 - Resort San Zhi - continuação
Lena olhou para trás e viu que Tamashi a encarava com uma expressão séria. As crianças ao redor foram desaparecendo até que só restasse uma. Um vento gelado passava pelo corpo da assistente social. Uma sensação horrível que ela jamais esqueceria. Parecia não conseguir respirar, sentia medo. Aquela figura diante de seus olhos era tão... real. Lena esticou a mão em direção a Tamashi, precisava senti-lo. O garoto deu um passo para trás e riu.
- Brinque mais um pouco com a gente.
E desapareceu. Lena olhava assustada ao seu redor, mas não conseguia ver nada além da escuridão. Chamou por Chi, mas não obteve resposta. Levantou-se e correu, um pouco desnorteada, para onde imaginava estar o resort. De repente algo segurou seu tornozelo com força e ela caiu. Não conseguia enxergar nada, apenas sentia dor. Levantou-se novamente e voltou a correr com certa dificuldade, já conseguia ver as silhuetas das casas cápsulas iluminadas pela lua. Lena corria desesperada, não sabia o que estava acontecendo, não sabia o que fazer. Viu o que parecia ser um corpo perto de uma das casas. As vozes das crianças começaram a cantar novamente.
Dia 25 de junho de 1988 – Departamento de polícia de Taiwan
A assistente social novamente não aparecera para trabalhar naquela manhã. O policial Carl Smith sentia falta de sua colega Lena, desaparecida há três dias. Carl assumira o caso das crianças desaparecidas do orfanato, mas apesar de todos os esforços, ninguém foi encontrado.
No dia 30 de junho de 1988, um memorial foi feito em homenagem a assistente social Lena Dilggmann e a todas as crianças desaparecidas.
O orfanato de Taiwan permaneceu funcionando até o falecimento da diretora Naomi Inoue em dezembro de 2001. Sem candidatos para assumir o controle do lugar, as crianças foram transferidas para o orfanato da cidade mais próxima.
Foi aprovado, por motivos de segurança em 2008, o pedido de demolição do abandonado Resort San Zhi. Mas devido a protestos da população local, o lugar permaneceu intacto. Segundo antigos moradores, entidades em forma de criança vagam pelo resort, devorando a alma de quem vagar por lá.
Em 2009, o resort de San Zhi foi demolido. Uma escola foi construída no lugar. Há quem diga que, todo ano, alunos desaparecem misteriosamente e que a escola é assombrada pelo espírito de uma jovem moça.
FIM
domingo, 4 de março de 2012
A caixa vermelha - Cap. 2
CAPÍTULO 2
Um relâmpago brilhou no céu escuro. Alexia segurava, adormecida, a caixinha nas mãos. Quando abriu os olhos, se assustou. Quanto tempo ficara ali? Levantou-se e correu pela floresta até encontrar o caminho de volta para casa. A festa parecia já ter acabado, devia ser muito tarde. Procurou por Brandon, mas não o encontrou. Deveria ter pensado que ela já havia ido embora. O lugar estava bem bagunçado e o relógio estranho na parede marcava 4 horas da madrugada. Além de tudo de ruim que aconteceu, também perdera a festa. Quando ia começar a chorar novamente, viu Cristopher. Ele não estava muito sóbrio, mas estava lindo.
- Ah, você ainda está por aqui? É... Alexia, certo?
- S-sim. Desculpe, eu perdi o horário. Já estou de saída.
- Tudo bem, festas são assim mesmo. Eu levo você em casa, é perigoso a essa hora na rua.
O coração de Alexia quase parou. Estava sozinha com Cristopher, ele lembrara de seu nome e ainda estava oferecendo uma carona; aquilo tudo só podia ser um sonho. Os dois permaneceram em silêncio quase todo o caminho, era como se o destino tivesse dado uma segunda chance de falar com Cristopher, mas Alexia simplesmente não conseguia dizer nada. Estava em choque.
- Então, qual delas é a sua casa?
- Ah, desculpe... É a segunda casa depois daquela cerca.
- Certo. Está entregue.
- Obrigada, Cristopher, nem sei como agradecer.
- Imagina, não foi nada. E pode me chamar de Cris.
Alexia se jogou na cama e começou a rir. Não conseguia acreditar no que aconteceu, era realmente maravilhoso. Faltavam apenas sete dias para a sua formatura e as coisas estavam começando a melhorar. Olhou para o retrato de sua mãe ao lado da cama e colocou a mão no pescoço, o pingente não estava mais lá. Alexia sentiu-se triste, mas logo lembrou-se novamente da formatura. Segurou o retrato com força.
- Você sempre sonhou com esse dia, não é, mãe? Com a minha formatura.
Logo adormeceu e, pela primeira vez, não sonhou com sua mãe.
Alexia passou o dia dormindo e pensando na noite anterior. Na manhã em que acordou para ir à escola, estava bem alegre. Colocou a melhor roupa que tinha e comeu seu bolo favorito no café. Na TV passava o noticiário da manhã. Alexia observava, um pouco distraída. Reparou na foto de um militar cujo corpo havia sido encontrado. Era um homem velho e de feições tristes. Sentiu certa tristeza pela morte do homem, ele lembrava um pouco seu avô. Tomou um copo de suco e foi para a escola, estava sentindo que o dia ia ser bom. O metrô estava cheio, mas conseguiu sentar-se ao lado de um senhor de cabelos brancos. Ele sorriu para Alexia; seu olhar era estranhamente familiar, parecia infeliz e distante. Na escola, as coisas pareciam um pouco estranhas também. As pessoas reparavam em Alexia e as vezes até sorriam ou davam bom dia. Na hora do lanche, Cristopher a convidou para sentar com ele e as outras pessoas populares, ficaram falando sobre a festa de formatura. Foi então que ela lembrou que não tinha um par. Por um instante pensou que talvez o seu desejo tivesse dado certo, que sua formatura seria como ela sempre sonhara. Ficou perdida em seus devaneios até que notou a capa do jornal que uma garota estava lendo. Era o militar que aparecera no noticiário, mas parecia que Alexia também o conhecia de outro lugar. Foi então que lembrou do velhinho do ônibus, e uma sensação horrível percorreu seu corpo.
CONTINUA
domingo, 12 de fevereiro de 2012
A caixa vermelha - Cap. 1
° Esta história foi escrita em homenagem ao livro Formaturas Infernais - coleção de contos de terror sobre formaturas, escrito por autoras de sucesso.
° Consequentemente acabei escrevendo a história mais no estilo romance infanto-juvenil; não ficou muito assustadora no início, o macabro da história acontece apenas no final (último capítulo). Mas ficou legal, vale a pena ler =D
CAPÍTULO 1
Era noite e a lua brilhava no céu sem estrelas. Alexia pegou a caixinha vermelha e segurou-a frente à fogueira, logo tudo iria acabar. Olhou pela última vez o embrulho em suas mãos, quem dera nunca o tivesse encontrado. Mas agora já era tarde, tudo o que podia fazer era se livrar daquilo. Jogou a caixinha no fogo e observou-a queimar lentamente. As lembranças de tudo o que passara vieram a sua mente e lágrimas escorreram de seus olhos.
Era uma noite igual aquela quando aconteceu. Alexia estava numa festa, acompanhada de seu melhor amigo Brandon, mas não estava se divertindo. Olhava para os lados à procura de uma certa pessoa, mas sempre que a encontrava desviava o olhar rapidamente.
- Tem certeza de que não quer dançar, Ale?
- Tenho.
- Então... Ir na praia ou algo assim. Parece que fizeram uma fogueira por lá e a música está boa.
- Não, obrigada. Estou bem aqui.
- Você não parece bem.
- Olha, B, pode ir, ok? Eu vou ficar bem aqui, vá se divertir.
- Não quero deixar você sozinha, Ale.
- Mas eu quero ficar sozinha. Não se preocupe, pode ir.
Meio relutante, Brandon se levantou. Conhecia bem a amiga teimosa e sabia que não iria convencê-la, mas era realmente chato vê-la ali emburrada. Alexia começou a olhar novamente ao redor, dessa vez fixando bem os olhos naquela figura perfeita no bar. Sem dúvida ele era o amor de sua vida, quem dera reparasse nela. Seu nome era Cristopher, um garoto popular da escola; líder do time de basquete, bonito e inteligente. Alexia se apaixonou por ele desde o primeiro ano do ensino médio, quando o viu pela primeira vez. Queria muito falar com ele, mas estava sempre rodeado de garotas e muito ocupado com festas. Alexia sabia que, para Cristopher, ela era apenas a garota do armário do lado, mais nada. As poucas palavras que trocava com ele no corredor a deixavam feliz e cada vez mais certa de que ele era o cara perfeito. E agora que finalmente havia conseguido um convite para uma de suas festas, estava ali, sentada, sozinha e sem coragem para ir falar com ele. Alexia se sentia patética, não podia continuar com essas atitudes infantis. Cristopher jamais iria gostar. Olhou novamente para o bar, ele ainda estava lá, mas agora sozinho. O coração de Alexia disparou, era sua chance, uma chance do destino. Ela tinha que ir falar com ele, era agora ou nunca. Levantou-se rapidamente e caminhou em direção ao bar, sem tirar os olhos de seu amado. Sentia-se firme, corajosa, ia falar com ele e tudo daria certo. Chegando ao bar, parou bem atrás de Cristopher. Quando ia tocar seu ombro, uma garota loira e bonita sentou ao lado dele e o beijou. Naquela hora, Alexia queria morrer.
Alexia saiu da festa, chorando entristecida. A primeira e única oportunidade para falar com seu amor, perdida. Correu até não aguentar mais e caiu de joelhos, justo quando começou a chover. Estava perdida na floresta que rodeava a casa, saíra da trilha. Enxugou as lágrimas e olhou para o céu repleto de nuvens, parecia ser o fim. Levantou-se e tentou achar o caminho de volta, precisava voltar para casa, o único lugar onde se sentia protegida e confortável. Depois de muito andar, encontrou uma trilha; mas não parecia ser a que levava de volta à casa. Mesmo assim resolveu segui-la. Chegou a uma pequena casinha onde as luzes se encontravam acesas. Não havia porta e as janelas eram bem pequenas. Alexia entrou para abrigar-se da chuva que piorava e sentou-se num pequeno banquinho. O lugar parecia algo como um santuário, para rezar e refletir, isolado do mundo. Desenhos antigos de rosas e corações decoravam o lugar, e no que parecia um altar havia uma pequena caixinha vermelha. Curiosa, Alexia levantou e pegou a caixa. Tinha um desenho de coração na tampa, decorado com um cadeado e uma chave presos à corrente. Não tinha nada trancando a caixa, o que fez Alexia pensar que não haveria problema em dar uma espiadinha. Levantou a tampa lentamente e deparou-se com uma caixa vazia. Vazia como seu coração.
Olhou para o altar, havia uma pequena plaquinha onde estava escrito "Sonhos podem converter-se em realidade, cuidado com o que deseja". Alexia riu; seu sonho se tornar realidade era impossível, sempre foi. Examinou a caixinha em suas mãos e percebeu que havia algo escrito no fundo.
- Um sonho em troca de algo precioso.
Aquele lugar era mesmo misterioso, mas transmitia uma sensação boa e aconchegante. Alexia segurou o pingente do seu colar. Era um anel que ganhara de sua falecida mãe, algo precioso. Retirou o pingente e colocou-o na caixinha, fechou-a e fez um desejo, depois devolveu ao altar. Sabia que seu desejo jamais se tornaria realidade, mas queria fazer aquilo. Talvez um fio de esperança pudesse manter vivo seu coração despedaçado.
CONTINUA
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Fechadura
Quando ouvi esta história pela primeira vez achei bem sinistra. Imagino que dê mais medo contando ou escrevendo do que numa tirinha , então vou contá-la a minha maneira e com um pouco mais de emoção =D
- Ah, com licença senhor. Eu gostaria de alugar um quarto.
O homem olhou assustado para Robert e sorriu, não tinha tido muitos clientes ultimamente.
- Mas é claro, seja bem-vindo! Por favor, fique à vontade.
- Obrigada.
- Aqui está a chave. Quarto cinco, é no primeiro andar à direita.
- Sim, muito obrigada.
- Eu que agradeço, tenha uma boa noite.
Robert foi para o quarto. A cama não era muito confortável e o banheiro demasiadamente pequeno, mas como estava cansado tomou uma ducha rápida e foi deitar. Já havia perdido a fome e logo adormeceu. Acordou algumas horas mais tarde ouvindo alguns barulhos na parede, vindos do quarto ao lado. Olhou o relógio, eram 3 horas da manhã. Tentou ignorar e dormir de novo, mas era impossível. Robert deu um soco na parede e pediu silêncio, o barulho parou seguido de um grito. Robert levantou-se assustado, o que estava acontecendo naquele quarto? Colocou uma camiseta e bateu na porta do quarto de número seis, ninguém respondeu. Tentou abrir e nada. Olhou então curioso pela fechadura e viu tudo vermelho. Não querem ser incomodados, pensou. Como os barulhos pararam, voltou a dormir.
Na manhã seguinte, Robert tomou seu café e foi acertar as contas na recepção. Comentou com o senhor o que havia acontecido na madrugada. O velhinho olhou-o, intrigado.
- Quarto seis? Está fechado faz anos. Uma mulher morreu lá, desde então interditamos o lugar. Mas dizem que seu espírito ainda vive ali e tudo o que se sabe é que seus olhos são vermelhos.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
O caso San Zhi - Cap.4
Dia 22 de junho de 1988 - parque de Taiwan
Lena caminhava pelo parque, observando as folhas caírem das árvores. Sua mente vagava em busca de respostas. Acontecera de novo. Apesar de todas as providências tomadas, Chi desaparecera novamente, levando mais duas crianças consigo. Não havia explicações para o fato de três crianças conseguirem escapar do orfanato, não com a polícia de vigia. Se Chi retornasse, teriam que manter uma vigilância de 24h.
Dia 22 de junho de 1988 - orfanato
No grande escritório do orfanato, Lena examinava vários arquivos. Registros de crianças desaparecidas há anos e que nunca foram encontradas. Tentava relacionar as histórias com o caso de Chi. O orfanato escondia um passado obscuro, nem todos aqueles relatos estavam registrados no departamento de polícia, não a maior parte deles. A mente de Lena se perdia em meio a tantos rostos de crianças desaparecidas, até que uma em especial chamou sua atenção. Era de menino desaparecido há 30 anos, seu rosto lhe era familiar. Naomi entrou no escritório e sentou ao lado da assistente social.
- Esse é meu filho. Não de sangue, mas é como se fosse.
- O que aconteceu com ele?
- Desapareceu. Saiu para brincar e nunca mais voltou. Apesar da polícia ter desistido, eu continuei procurando.
- Eu sinto muito, Dona Naomi.
- Então comecei a trabalhar no orfanato. Ele gostava muito de brincar com outras crianças, achei que seria um meio de não perder a esperança.
- Entendo.
- Com o tempo comecei a achar que era melhor esquecer, ele não iria voltar. Então me apeguei às crianças daqui, a esse lugar.
- E todas essas crianças desaparecidas, o que aconteceu?
- Eu não sei. Apesar de toda a segurança, alguma desaparecia. Isso sempre aconteceu, muito antes de eu vir para cá.
Lena ficou intrigada, aquilo tudo era muito curioso e certamente não era normal. Guardou todas as folhas e retratos, resolveu dar uma volta pelo casarão. Passou por todos os cômodos, observando cada detalhe. Ficou um tempo no quarto que pertencia a Chi, mas não achou nada fora do normal. Voltou para o hall de entrada e ficou pensando, casas antigas como aquela sempre tinham passagens escondidas. Continuou andando. Dessa vez foi para cozinha. Até que aquele lugar era aconchegante. Uma pequena porta aos fundos chamou sua atenção, parecia uma pequena despensa. Lena abriu a porta, mas não conseguia enxergar nada, estava escuro demais. Pegou a lanterna e conseguiu ver uma pequena escada sumindo no escuro, parecia um porão. Se tivesse um acesso ao lado externo da casa, era um lugar perfeito para fugir. Desceu a escada com cuidado, iluminando cada degrau. Era um porão bem comum, com caixas velhas e algumas coisas quebradas, nada fora do normal. O lugar parecia não ter fim, seria mais fácil examiná-lo se tivesse luz lá embaixo, mas teria que se contentar com a lanterna. Lena estava quase desistindo de achar alguma coisa quando viu o que parecia ser uma janela muito velha; estava bem alta e havia uma caixa logo embaixo que poderia servir de escada. Bingo.
Lena correu para o lado de fora da casa, olhando atentamente para o chão em busca da janela; não encontrou nada. Tinha certeza que havia uma saída do porão para a rua, iria encontrar. Depois de algum tempo procurando, resolveu tentar nos arbustos que ficavam junto à parede. Com um pouco de dificuldade, agachou-se e abriu caminho entre os galhos; conseguiu ver um pedaço da pequena janela do porão. Então foi por ali que eles fugiram. Satisfeita, voltou para a casa e contou sua descoberta a Dona Naomi para que esta tomasse providências. Já estava começando a escurecer, era hora de voltar para casa. Lena entrou no carro, fechou os olhos e respirou fundo, era um alívio saber que agora poderiam evitar os desaparecimentos. Quando estava prestes a sair, viu um menino entre as árvores que cercavam uma parte do casarão. Saiu do carro e foi até ele. Era Chi. Estava com a mesma expressão vazia no rosto, um olhar fundo e assustador.
- Chi! Meu Deus, onde você estava? Escute, Chi, você precisa me dizer aonde está levando os seus amigos.
- Estou levando eles para brincar. - respondeu o garoto com um sorriso no rosto.
- E onde vocês estão brincando? Sabe onde eles estão agora?
O sorriso do menino sumiu. Fitou Lena seriamente.
- Você quer brincar com a gente, moça?
Lena sorriu com uma sensação de vitória.
- Eu adoraria, Chi.
Dia 22 de junho de 1988 - arredores da cidade
Chi conduzia Lena em silêncio pela floresta e por caminhos estranhos. A assistente social não falava nada, não queria que o garoto mudasse de ideia. Sabia que era um pouco arriscado o que estava fazendo, não sabia com que tipo de gente teria que lidar; no entanto, já estava farta daquilo tudo e sabia tomar cuidado. De repente, o garoto parou. Lena olhou ao redor, estavam na entrada do resort abandonado. Chi soltou sua mão e foi na frente. Ela o seguiu em silêncio e atenta para qualquer movimento suspeito. Lena já havia visto o lugar por fotos, mas nunca estivera lá pessoalmente. O famoso resort de San Zhi era realmente bonito durante o dia, e muito assustador a noite; parecia de fato uma cidade fantasma. Atravessaram o resort até chegar do outro lado do grande lago. Lena podia ouvir crianças cantando ao longe.
Cesto, Cesto. A ave dentro do cesto.
À medida que chegavam mais perto, as vozes ficavam mais altas. Mas não havia ninguém.
Quando, quando irá sair? Ao amanhecer.
Então Lena pôde ver, eram crianças. Aqueles rostos, todos eram familiares; parecia um sonho. Lena reconheceu as crianças dos retratos de desaparecidos, as crianças que sumiram do orfanato e até... o filho de Naomi. Agora ela se lembrava. A pasta velha em seu escritório, o garoto desaparecido há 30 anos. Lena caiu do joelhos na grama, não podia acreditar no que estava vendo. As crianças a cercaram andando em círculos à sua volta, de mãos dadas, e continuaram a cantar.
A tartaruga e o corvo escorregaram. Quem está atrás de mim?
Então pararam. Lena só conseguia pensar em uma coisa: o filho desaparecido de Naomi.
- Tamashi...
As crianças riram, menos a que se encontrava atrás dela.
CONTINUA
Kagome Kagome
Kagome Kagome é uma brincadeira infantil japonesa. Uma criança é escolhida como "oni", essa criança senta no chão com os olhos vendados. As outras crianças juntam as mãos e andam em círculos em volta do oni enquanto cantando uma música. Quando a música para o oni tem que falar qual é a pessoa que está atrás dele, se ele estiver correto, a pessoa atrás dele vira o oni.
fonte - http://pt.wikipedia.org/wiki/Kagome_Kagome
Essa brincadeira virou tema de muitas músicas e histórias de terror, onde a criança sentada no meio, o oni, seria morta caso errasse quem era a pessoa que estava atrás. Existem várias versões de músucas para serem cantadas nessa brincadeira. Segue a mais conhecida:
Kagome, kagome
Kago no naka no tori wa.
Itsu, itsu deyaru?
Yoake to ban ni.
Tsuru to kane kame ga subetta.
Ushiro no shoumen dare?
TRADUÇÃO
Cesto, cesto.
A ave dentro do cesto.
Quando, quando irá sair?
Ao amanhecer.
A tartaruga e o corvo escorregaram.
Quem está atrás de mim?
Um vídeo legal e que ilustra essa brincadeira de forma sombria é Kagome Kagome do Vocaloid
segue o link - http://www.youtube.com/watch?v=qyx6LKtSr6s
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Para sempre meu
Serena caminhava pelo cemitério todas as noites, ia visitar o túmulo de seu amado. Levava rosas brancas todas as vezes, pois estas representavam sua paixão ainda viva por ele. Do túmulo Serena podia ver o mar, uma vista privilegiada. Enquanto cantava uma música triste, retirou a rosa murcha, substituindo por uma nova. Fechou os olhos e pensou no amor, um sentimento eterno. Tão bonito, mas ao mesmo tempo tão doído. Lágrimas escorreram de seus olhos. Serena sorriu; acariciava o túmulo com a mão.
Lembrava de cada momento que passara perto dele, cada segundo fora importante. O primeiro dia em que o viu, no parque, admirando a paisagem. Tão perfeito, sentado no banco à luz da lua. Foi paixão à primeira vista. Serena passara a frequentar o parque todas as noites, e todas as noites ele estava lá, sentado. Espiá-lo passou a ser seu vício, precisava vê-lo para sentir-se viva. Os dias foram passando, até uma noite fatídica. Quando Serena foi ver seu amado, ele não estava sozinho. Sentiu um aperto no coração, a pessoa em seus braços não era ela. Aquilo estava errado. Ouvir os sussurros dos dois, as carícias, os abraços... Tudo era dolorido. Viver agora era um sofrimento.
Depois de alguns meses Serena decidiu acabar com aquilo, e seria naquela noite. No horário de sempre, lá estava ela. Escondida atrás da árvore, fitava seu amado com dor no coração; feridas que não cicatrizavam. Segurou a faca com força, precisava fazer aquilo. Quando a garota chegou e sentou-se no banco, Serena saiu de seu esconderijo. O casal apaixonado olhava assustado para aquela figura que segurava a faca sobre seu próprio pescoço. O rapaz imediatamente se levantou, não iria permitir uma vida ser tirada diante de seus olhos. A garota agarrada em seu braço começou a chorar. Serena sentiu ódio. Apontou a faca para os dois. Ela tinha tinha que fazer aquilo. O garoto imediatamente colocou-se em frente à menina para protegê-la, tomado de desespero. "Você não precisa fazer isso", dizia o garoto. Mas ela sentia que precisava, era a única maneira de acabar com aquele sofrimento. Era a única maneira de salvá-lo. Ele percebeu a certeza no olhar dela e mandou a outra garota correr. Serena chorou. Se o coração dele jamais poderia ser dela, então não seria de mais ninguém. Imediatamente ela abraçou o garoto e cravou a faca em seu coração, sussurrando em seu ouvido, "Eu te amo".
Suas últimas lembranças eram as mais doloridas, lágrimas caíram sobre as rosas. Serena beijou a última flor em sua mão e colocou-a no túmulo, "para sempre meu".
O caso San Zhi - Cap.3
Dia 18 de junho de 1988 - orfanato
- Como ele está, Ana?
- Continua igual, Dona Naomi. Não quer comer, não dorme e só fica falando sobre levar amigos para brincar.
- Obrigada, Ana, deixe comigo agora.
- Sim, senhora.
Chi estava sentado na cama abraçando seus joelhos. Olhava fixamente para os pés e balançava lentamente, sempre repetindo as mesmas palavras. Lena não reconheceu o garoto alegre da fotografia. Sem dúvida algo havia acontecido, algo terrível. Já havia trabalhado com inúmeros casos assim, crianças felizes que somem e depois de alguns dias voltam traumatizadas, vítimas de violência. Lena reparou então em leves arranhões e machucados no rosto do garoto.
- Chi, essa é Lena. Ela está aqui para conversar um pouco com você, tudo bem?
- Olá, Chi, é um prazer conhecê-lo.
- Eu vou deixá-los a sós. Estarei na minha sala se precisar.
- Obrigada, Dona Naomi.
A diretora do orfanato preocupava-se de verdade com as crianças, isso Lena podia perceber. Não seria fácil fazer o menino contar o que havia acontecido, já que não o fizera nem mesmo para a pessoa que o criara. Mas Lena estava determinada a ajudar o menino.
- Então, Chi, você parece meio triste. Por que não está lá fora brincando com as outras crianças?
- Brincar... preciso levar amigos para brincar.
- Amigos para brincar é muito bom. Onde você quer levá-los, Chi?
- Eles disseram que eu preciso levar... Só assim eu poderia ir.
- Chi, esses amigos com quem você estava... Do que vocês brincaram?
- Brincar... Eles queriam brincar.
- Como conseguiu esses machucados?
Lena colocou a mão sobre o braço cheio de feridas do menino; reparou em algo estranho por baixo da manga. Puxou-a e se assustou, era uma mordida. Pequena, porém violenta.
- Chi, quem fez isso com você? Foi um dos seus amigos?
Pela primeira vez o garoto parou de encarar os pés e voltou o olhar para a mordida em seu braço. Depois fitou Lena, mas não disse nada. A assistente social também fitou o garoto. Não conseguiu encontrar nenhuma expressão em seu rosto. Ele parecia... Vazio.
- Chi, você disse que seus amigos queriam que você levasse mais pessoas para brincar. Se você prometesse levar amigos, eles deixariam você ir, certo?
Chi baixou a cabeça e assentiu. Finalmente uma reação, Lena estava progredindo. Segurava o braço do garoto com delicadeza, queria passar confiança.
- Por que você não me diz quem são os seus amigos? Eu adoraria ir brincar com eles.
O garoto voltou a encarar a moça, forçando um leve sorriso no rosto.
Dia 21 de junho de 1988 - departamento de polícia de Taiwan
- Ei Lena, chegaram mais algumas pastas para você.
- Ah, obrigada. Pode deixar na minha mesa, estou de saída.
- Vai no orfanato de novo?
- Sim.
- Olha Lena, nós recebemos ligações de lá há anos. Crianças que crescem em lugares como aquele são sempre traumatizadas. Acho melhor você investir o seu tempo em um caso-
- Eu não quero saber, Chuck. Aquele garoto foi vítima de violência e eu vou ajudá-lo.
- Tudo bem, só queria alertá-la. Os casos que ocorrem naquele orfanato nunca terminam bem.
- Do que você está falando?
Chuck já havia saído. Mas Lena não se importava, o caso daquele garoto não era um simples problema de orfanato. Havia algo muito errado ali, mas ela já estava prestes a descobrir. Pegou a chave do carro e foi para sua visita diária ao menino Chi.
Dia 21 de junho de 1988 - orfanato
Lena achou estranho não ver as crianças brincando no parquinho, já estava na hora do recreio. Procurou Dona Naomi e encontrou-a em prantos.
- O que aconteceu, Dona Naomi?
- Ah, Lena. Que bom que está aqui! Chi desapareceu, junto com outra criança.
- Como?
- Eu não faço ideia! Coloquei trancas em sua janela e a porta da frente está sempre chaveada, não sei como foram desaparecer!
- Quem mais sumiu?
Naomi entregou-lhe uma foto. Era uma garotinha sorridente e carismática.
- O nome dela é Shay. Tem 5 anos de idade. Oh, meu Deus, tão pequena!
- Não se preocupe, Dona Naomi, vamos encontrá-los. Vou ligar agora mesmo para o departamento mandar viaturas de busca.
As viaturas chegaram rápido, fizeram buscas por todos os lugares. Mas nenhuma das crianças foi encontrada. Quando a lua apareceu no céu, a última viatura voltou. Um dos policias trazia notícias.
- Encontramos essa boneca no chão, perto de San Zhi.
- Ah meu Deus, é da Shay! Essa boneca é da Shay! - disse Naomi, desesperada.
- A senhora tem certeza?
- Sim, tenho! Eu mesma dei a ela!
- Nós não encontramos nenhum rastro. Fizemos uma busca por todo o resort abandonado, mas também não estavam por lá.
- Certo, obrigada, oficial.
- Dona Naomi, é melhor a senhora voltar e tranquilizar as crianças. Um policial vai ficar de vigia esta noite, para garantir que mais ninguém fuja.
Naomi abraçava com força a boneca de Shay; lágrimas escorriam de seus olhos. Lena despediu-se da triste senhora e foi em direção a seu carro. Quando ia entrar, viu alguém se aproximando, vindo da escuridão. Olhou atentamente a figura até que estivesse próxima o suficiente para que pudesse ver seu rosto. Era Chi. Lena correu até o garoto e o abraçou com força. Estava no mesmo estado em que voltara da última vez. Seu olhar parecia mais vazio do que nunca. Lena sabia que não adiantaria de nada encher o menino de perguntas, mas havia algo que precisava saber.
- Chi, onde está Shay?
O garoto sorriu maliciosamente. Depois encarou Lena com uma expressão séria e inclinou um pouco a cabeça.
- Ela foi brincar.
- E onde ela está agora?
- Ela perdeu. Perdeu o jogo.
- Chi, onde está a Shay? Eu preciso que você me diga!
O menino não falou mais nada. Andou tranquilamente até seu quarto, sentou na cama e ficou encarando a janela. Não respondia a nenhuma pergunta, voltara a seu estado de antes.
CONTINUA
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Aokigahara
Aokigahara, também chamada de Mar das Árvores, é uma floresta localizada no Japão. É conhecida por ser assombrada, e tem grandes motivos para isso. No século 19 era usada para abandonar crianças e idosos, já mais tarde começou a ser usada para a prática de suicídio. Mais de 500 pessoas já perderam a vida nessa sinistra floresta.
Fonte - http://www.issoebizarro.xpg.com.br/blog/mensagem-subliminar/floresta-dos-suicidios/
É claro que isso me deu ótimas ideias para uma história. Ai vai ela.
Itami corria em meio a floresta escura. Qualquer lado que olhasse via pessoas entre as árvores, pessoas mortas. Enforcadas, baleadas, sufocadas... mortas. Não conseguia sair daquele lugar terrível, era um mar de árvores sem fim. Fechou os olhos e continuou a correr, não queria mais ver aquilo. Tropeçou em frente a uma árvore e caiu. Assustada, Itami abriu os olhos e encarou a grande árovre. Era diferente de todas as outras, maior e mais forte. Olhou então para o galho mais baixo, havia uma corda enrolada no pescoço de algúem. Itami gritou.
Itami levantou da cama, assustada; já não era a primeira vez que sonhava com aquela floresta. Levantou-se e foi lavar o rosto. Se aqueles pesadelos continuassem, não conseguiria mais dormir. Tomou seu café da manhã e foi para a praça encontrar um amigo.
Aoyama estava sentado em baixo de uma árvore fitando o céu, parecia pensativo. Sorriu quando viu Itami se aproximar.
- Bom dia, Aoyama!
O rapaz não respondeu. Continuava a olhar o céu, como se Itami nem estivesse ali. A garota ficou irritada, mas resolveu não falar nada. O amigo andava estranho nos últimos dias, talvez tivesse acontecido algo sobre o qual não queria falar. Ambos ficaram algum tempo ali, sentados admirando o céu, quando Aoyama finalmente falou.
- O céu está muito bonito hoje.
- Está sim.
- Quero que faça um favor para mim.
- O que é?
Aoyama entregou um pedaço de papel dobrado.
- Prometa que só vai abrir hoje à meia-noite.
- À meia-noite? Por quê?
- É a hora certa.
Itami estranhou o pedido do amigo, mas assentiu. Guardou o bilhete no bolso e fechou os olhos. Não havia nuvens, a brisa do vento estava refrescante, era um dia perfeito. Quando abriu os olhos, Aoyama não estava mais lá. Itami levantou-se depressa e tentou achar o amigo, mas não o encontrou. Foi para casa.
Quando o relógio marcava 23:30, Itami suspirou. Estava cansada e com sono, queria dormir logo. Olhou para o bilhete de Aoyama em suas mãos, estava curiosa.
- Bom, é quase meia-noite, acho que ele não vai se importar.
Itami abriu o bilhete. Leu a única palavra escrita na bela caligrafia de Aoyama. Jogou o bilhete no chão, pegou as chaves do carro e saiu correndo.
Mas... Para onde? Itami tentou pensar. Para onde Aoyama iria? Uma imagem veio à sua mente, um medo enorme tomou posse de seu corpo. A floresta. Tremendo, Itami dirigiu até Aokigahara.
A floresta era tão assustadora quanto em seus sonhos. Itami olhou seu relógio, cinco para meia noite. Não tinha tempo. Não tinha tempo nem para ter medo. Correu em direção à floresta, passando pelas árvores sem olhar ao redor. Estava vivendo seu pesadelo.
Não demorou muito para achar a grande árvore. Rezou para que não fosse tarde demais, seu relógio já marcava meia-noite. Olhou para o mesmo galho que havia em seu sonho, tinha uma corda pendurada. E na corda, não havia nada. Itami ficou paralizada. Onde estava Aoyama?
Itami ouviu passos, havia alguém atrás dela. Virou-se. Era Aoyama. Sentiu então uma enorme sensação de alívio, ele estava ali. Vivo. Então ouviu um som, um disparo. Aoyama apontava algo para ela. Itami olhou para baixo, havia sangue em sua blusa. Uma dor enorme tomou conta de seu corpo, procurou alguma explicação no rosto do amigo. Mas tudo que conseguiu dele foi uma palavra. Adeus.
Dia Macabro
A história aconteceu em um dia quente de verão. Havia chovido, mas o sol voltara. Eu estava na casa de uma das minhas primas vendo filme, quando de repente ouvimos um barulho. Pareciam passos, mas foram se tornando agudos até que pararam e ouvimos o som de algo se quebrando. A casa era grande, estávamos apenas com uma prima menor e nossa avó. Ambas estavam no quarto vendo TV, logo não poderiam ser elas as causadoras do barulho, já que o som parecia vir da cozinha. A sala onde estávamos era perto da cozinha. Como num passe de mágica, o tempo que há pouco abrira começou a fechar. O céu se tornou nublado, e ouvimos o barulho novamente, porém um pouco mais longe. Ao lado da casa havia uma piscina, onde se encontrava também a garagem, a churrasqueira e uma passagem para o jardim que cercava a casa.
O grande portão estava fechado, porém destrancado. O barulho estranho produzia-se agora, aos nossos ouvidos, perto da piscina, e o medo tomou conta de nós fortemente. Verificamos o quarto onde se encontravam nossas parentas; nossa avó e nossa prima haviam adormecido. Ambas indefesas por conta da idade, não poderiam nos ajudar em nada. Achamos mais seguro deixá-las ali e verificarmos o barulho estranho nós mesmas. Fomos andando silenciosamente até a cozinha, onde pretendíamos espiar a parte de fora da casa pela pequena janela em cima da pia. O tempo nublado dificultava nossa visão, a chuva voltara e começara a trovejar.
Apesar da forte tempestade, ainda podíamos ouvir o barulho estranho, embora estivesse aparentemente longe. Podíamos ver as árvores do jardim através das grandes janelas de vidro, balançando na escuridão mortal. De repente as luzes começaram a piscar e apagaram. Eu e minha prima gritamos, a cena parecia um filme de terror, o medo aumentava cada vez mais. Até pensei em voltar para o quarto de nossas parentas, mas de nada adiantaria. Ambas tinham sono pesado e estariam mais seguras ali. Seja lá o que fosse o barulho, estava fora da casa. Imaginei que não poderia ser um ladrão, já que Terry, o cachorro, estava solto e, se tivesse alguém la fora, ele provavelmente já teria latido.
O barulho estranho aumentava à medida que nos aproximávamos da cozinha, certamente vinha lá de fora. Espiamos pela janela, mas nada vimos por conta da escuridão. Já estávamos indo em direção ao armário para procurar uma lanterna quando vi um clarão. A luz do relâmpago iluminou por um segundo a parte de fora, e percebi uma mancha estranha perto da churrasqueira. Eu e minha prima encontramos a lanterna e fomos ver o que estava lá fora. Uma parte de mim estava repleta de medo e me impedia de ir. Outra, porém, dizia que era necessário. A churrasqueira era coberta, assim estaríamos protegidas da chuva.
A porta que dava acesso à parte externa da casa estava aberta e batia com a força do vento, mas não era este o barulho estranho que ouvíamos. Passamos para a varanda e fomos em direção à churrasqueira. No instante em que fitamos o chão, surgiu outro relâmpago, iluminando a mancha que se revelou uma poça de sangue, que escorria junto à chuva. Eu e minha prima ficamos horrorizadas com o que víamos. Estávamos com muito medo, pois sabíamos que encontraríamos a fonte da poça de sangue atrás do balcão, e nenhuma de nós queria olhar. O pânico tomou conta de nós, porém eu precisava ser racional. Foi então que me ocorreu. Eu não vira Terry desde que saímos da casa. Ele deveria estar ali, pois é a única parte coberta onde poderia se proteger da chuva, e por ser um Rottweiler não pode ficar dentro da casa. Foi então que imaginei o que se encontrava atrás do balcão.
Apesar de minha prima ter visto o sangue, eu não queria que ela visse o seu cachorro morto e ensanguentado. Mandei que ela voltasse para casa, apesar do meu medo de ficar sozinha, ainda mais com algo ali fora, pois eu sabia que o cachorro não poderia ter se matado. Minha prima, apesar de ser mais nova que eu, não me obedeceu. Ela sabia que eu seria persistente quanto a isso, e foi seguindo o rastro de sangue ate o balcão. Ela olhava incrédula para o que estava ali atrás e, apesar de eu não poder ver o que era de onde estava, sabia o que só podia ser o cachorro. Ela derrubou a lanterna no chão, colocou as mãos no rosto e começou a chorar desesperadamente, correu em minha direção e me abraçou bem forte.
Tentei consolá-la dizendo que Terry já era velho, que tivera uma vida feliz e que provavelmente morreu tentando defender a casa e a si mesmo. Foi então que ela parou de chorar, me olhou nos olhos e disse:
- Terry?
Nunca pensei que aquela palavra iria me assustar mais do que a cena que vivíamos. Se não era Terry que estava ali, então o que era? Soltei minha prima e fui ver o que se encontrava atrás do balcão. Nunca mais vou esquecer o que vi. Pois ali, bem na minha frente, morto e cheio de sangue, estava nada mais e nada menos do que o meu próprio corpo.
Virei na direção de minha prima tentando buscar uma explicação, mas no instante em que me virei, ela havia sumido. Virei-me novamente para o corpo no chão, mas este também havia sumido. Encontrei-me então sozinha e confusa na escuridão assustadora.
O caso San Zhi - Cap.2
Dia 14 de junho de 1988 - orfanato
- Vamos crianças, é hora de levantar! Ja está na hora de tomar café!
- Dona Naomi, Chi não está no quarto! Eu não o encontro em lugar algum!
- De novo? Mas será possível que esse menino não aprende?
Naomi correu para o pátio. Sabia dos passeios noturnos de Chi e até tentava evitá-los, mas o menino era esperto. Gostava de todas as crianças do orfanato como se fossem suas, não queria perdê-las como perdeu o filho. A partir de agora teria que tomar providências mais sérias, não poderia suportar mais crianças desaparecidas.
Dia 15 de junho de 1988 - orfanato
Naomi agora estava seriamente preocupada. O garoto jamais demorara em seus passeios, havia realmente sumido. Sentiu um aperto no coração, era sua culpa. Deveria ter sido mais rigorosa com o garoto e acabado de vez com suas traquinagens de fugir à noite. De repente viu um garoto muito sujo e machucado sentado no balanço. Era Chi.
- Chi! Chi! Onde você estava, moleque? Responda! Você está seriamente encrencado! Olha só pra você! Todo sujo e machucado! O que você andou aprontando, hein? Chi, olhe para mim quando eu falar com você!
O garoto parecia depressivo. Olhava para o chão com uma expressão triste.
- Chi, o que aconteceu com você? Por que não me conta?
- Eles só queriam brincar...
- Quem queria brincar, Chi?
- Eles só... queriam brincar... comigo.
- Quem, Chi? Quem queria brincar com você?
- Eles disseram que eu podia ir. Podia ir se trouxesse mais amigos para brincar.
- Chi, eu preciso que você me diga quem para que eu possa te ajudar.
- Eu tenho que voltar... e levar mais amigos. Amigos para brincar...
- Chi! Voltar aonde? Onde você estava?
- ... eles disseram. Eu preciso levar.
- Chi!
Dia 18 de junho de 1988 - departamento de polícia de Taiwan
Lena trabalhava para a polícia de Taiwan como assistente social, era formada em psicologia. Gostava de seu trabalho, apesar de muitas vezes não conseguir dormir à noite, assombrada pelos pensamentos da dura realidade de muitas crianças. Mas poder ajudá-las já era um enorme alívio em sua consciência. Chegou cedo no departamento essa manhã, pegou uma grande xícara de café e foi para sua sala. Olhou a pilha de pastas recém-colocadas em sua mesa, era enorme. Sentou-se na cadeira e tomou um grande gole de café.
- Bom, vamos trabalhar.
Colocou a mão sobre a primeira pasta e parou. Havia algo engraçado naquela pilha, todas as pastas eram de cor branca, exceto uma bem no final de cor amarelada. Lena puxou a pasta estranha e abriu. Era um arquivo muito antigo de um menino desaparecido há 30 anos, possuía um carimbo de caso abandonado. Não gostava de mexer nos arquivos antigos da polícia, doía só de pensar em saber quantos casos haviam sido esquecidos. Devem ter colocado por engano, pensou. Deixou a pasta velha de lado e voltou-se para sua pilha, pegando a primeira pasta. Tratava-se de uma criança desaparecida do orfanato. Parece que havia voltado, porém apresentava um comportamento estranho. Lena tomou mais um gole de seu café e encarou a foto do menino, tinha feições muito bonitas e alegres. Simpatizou-se com o retrato do menino, ia fazer-lhe uma visita.
CONTINUA
O caso San Zhi - Cap.1
Dia 13 de junho de 1988 - arredores da cidade
Era uma noite calma em Taiwan. O pequeno garoto de nome Chi andava pelos arredores de sua cidade como de costume, a noite tudo era mais interessante. Esta noite era especial, véspera de seu aniversário. Resolveu aventurar-se um pouco mais do que de costume, explorar novos lugares. Chegou em frente a uma entrada, parecia ser a do famoso resort abandonado. Chi lembrou das palavras de Dona Naomi. Jamais ir nos detritos de San Zhi, era muito perigoso. Para Dona Naomi tudo era perigoso, Chi nem mesmo podia andar de bicicleta sem capacete. Mas foi graças a essa segurança desnecessária que ele pôde começar suas aventuras ao redor da cidade e descobrir lugares incríveis.
Chi encarava a entrada, devia ser quase meia-noite. Olhou para a lua brilhante no céu e respirou fundo. Deu um passo. Um vento suave passou pelo seu corpo e Chi se arrepiou. Medo? Como poderia estar com medo? Ja havia ido em inúmeros lugares a noite, não tinha nada para se ter medo. Ainda mais de um lugar abandonado. De repente o medo passou e uma enorme vontade de entrar na famosa cidade fantasma o invadiu. Era como se algo o puxasse, o convidasse a entrar. Então deu mais um passo, mais outro e quando viu já estava dentro do resort. Podia ver o grande lago e as casas-cápsulas ao longe.
Agora que já estava ali, não tinha mais volta. Ja devia ser meia-noite, Chi agora era um garoto maduro de 12 anos. Riu de si mesmo e do medo que havia sentido, teria muito o que contar às crianças quando voltasse ao orfanato. Continuou andando até chegar bem perto de uma das casas e parou. Apesar da noite, a lua iluminava o suficiente para reconhecer o formato bizarro das casas e até um pouco de suas cores desgastadas. Deveria ser um lugar muito bonito, pensou Chi, se tivessem terminado. E deveria ser ainda mais interessante por dentro, ainda bem que trouxera uma lanterna.
De repente sentiu uma sensação estranha, uma presença, como se não estivesse sozinho. Será que havia mendigos por ali? Era algo bem provável pela quantidade de casas abandonadas, mas devido a fama de mal assombrado ninguém se atrevia a entrar no resort. Mas Chi não ouvia barulho algum, se realmente houvesse alguém ali ele saberia. Chi andou ate o grande lago e olhou ao redor. Era calmo e silencioso, nem barulho de insetos no mato ele escutava. Conseguia ouvir sua respiração e seus passos na grama alta, nunca havia estado num lugar como aquele. Pegou a lanterna e iluminou a paisagem ao seu redor. Em qual casa entrar? Fechou os olhos e apontou o dedo aleatoriamente para algum lugar. Sentiu novamente a sensação estranha e algo tocando seu dedo. Abriu os olhos assustado. Chi apontava para uma casa bem no meio, parecia a mais velha e desgastada do lugar. Começou a pensar se era realmente uma boa ideia ir até la, mas lembrou-se de que agora tinha 12 anos, já era um homem. Tomou coragem e foi.
As casas eram ainda mais bizarras de perto, estava curioso para vê-las por dentro. Andou ao redor ate achar uma entrada, não foi difícil. Não havia porta, apenas restos de madeira e tijolos ao lado do buraco que era a entrada. Chi entrou tomando cuidado para não pisar nos destroços; apesar da construção ter sido abandonada antes de estar pronta, aquela casa possuía grande parte de sua estrutura completa. Parecia ter sido a última obra feita pelos operários antes de muitos morrerem e o governo abandonar a construção. A casa era tão assustadora por dentro quanto por fora, mas sua estrutura era muito interessante. Chi olhava admirado para cada detalhe que sua lanterna conseguia revelar, objetos esquecidos, instrumentos de construção, tecidos. Reparou numa mancha vermelha em uma das paredes e na enorme janela de vidro. Chi levou um susto ao reconhecer a mancha: era sangue. E não parecia ser velho. Novamente veio a sensação horrível, parecia mais forte. Apontou a lanterna para a entrada e não conseguiu acreditar no que via. Dessa vez havia mesmo alguém ali.
Chi piscou bem forte e esfregou os olhos, a pessoa sumira. Realmente havia visto alguém ou foi sua imaginação tomada de medo tentando lhe enganar? Segurou firme a lanterna e foi em direção a saída. Voltou para o lago e começou a olhar para todos os lados, assustado. Viu novamente a figura do outro lado, perto de outra casa. A primeira coisa que veio a cabeça foi fugir, sair daquele lugar estranho. Mas pareceu errado. Sentiu que deveria seguir seja lá quem fosse. Deu a volta no lago correndo; a figura desaparecia e aparecia em outro lugar, como se indicasse um caminho. Chi correu até não aguentar mais. Já estava do outro lado do resort e bem perto da floresta. A pessoa também havia parado e o encarava com uma expressão séria. Era um garoto, pequeno, deveria ter por volta de 7 anos de idade. Chi andou em sua direção devagar, com medo de que o menino sumisse de novo. Seu rosto parecia familiar.
- Quem é você?
O garoto não respondeu, apenas o encarava.
- Ei, quem é você? O que faz aqui a essa hora?
O mesmo que eu, provavelmente. Pensou Chi.
- Você quer brincar comigo?
Brincar? Por que um menino desse tamanho esta aqui a essa hora querendo brincar? Chi olhou o garoto desconfiado, não parecia nem ao menos estar com medo, deveria visitar o resort abandonado com frequência.
- Você quer brincar? Mas qual é o seu nome? Eu preciso saber o seu nome para poder brincar com você.
Chi sabia como lidar com crianças assim, afinal convivia com várias.
- Tamashi.
- Oi, Tamashi. Meu nome é Chi. O que você faz a essa hora aqui? É meio perigoso.
- Perigoso, sim.
- É. Você está sozinho?
- Não. Tenho vários amigos. Nós gostamos de brincar.
- Ah, e onde estão os seus amigos?
- Aqui.
Chi olhou para os lados mas não viu nada. Sera que o garoto estava mentindo?
- Eu não estou vendo os seus amigos.
- Nós queremos brincar com você, Chi.
- Nós quem, Tamashi?
- Vai ser divertido.
Tamashi desapareceu diante de seus olhos. Como ele é rápido! Pensou Chi.
- Tamashi? Aonde você está?
Risos de crianças começaram a ecoar pelo lugar, Chi pode sentir a presença de várias pessoas. Onde estão? Pensou. Não via ninguém e nem escutava passos. Apenas risadas misteriosas vindo do nada. Segurou forte a lanterna e andou em direção ao lago. Ia voltar pra casa, aquilo tudo estava estranho demais.
- Onde você vai, Chi?
- Vem brincar com a gente, Chi!
- Tamashi? Onde você está? Olha, já está muito tarde, vou para casa. Você também deveria ir.
- Você não pode ir.
- Amanhã nós brincamos, certo?
- Você não pode ir, Chi. Nós vamos brincar agora.
CONTINUA
San Zhi Resort
Vagando na internet sobre lugares assustadores descobri um que, não sei bem o porquê, me chamou atenção.
Um resort abandonado que levou a fama de assombrado, gostei da história e do lugar.
Apresentação - San Zhi é um complexo localizado no norte de Taiwan, rodeado por florestas e morros. Iniciado nos anos 80, o resort foi planejado para que ricos pudessem descansar em suas férias num lugar de luxo. No entanto, antes de sua conclusão, o projeto foi abandonado. Muitos dos trabalhadores que participavam da construção do resort morreram, levando o governo a cancelar a obra.
O resort apresenta casas-cápsulas, onde ocorreram as mortes.
O lugar ficou abandonado durante muitos anos, ninguém se atrevia a entrar lá. Levou a fama de cidade fantasma, e ocorriam boatos de que lá viviam crianças devoradoras de almas.
O lugar ia ser demolido em 2008, mas ocorreram protestos. Todavia foi demolido em 2009.
Uma história interessante, e gostei muito da arquitetura do lugar. Claro, não pude deixar de pensar em uma história para esse lugar. Postarei-a em capítulos, ainda não terminei de escrever. Espero que gostem ;D
Um resort abandonado que levou a fama de assombrado, gostei da história e do lugar.
Apresentação - San Zhi é um complexo localizado no norte de Taiwan, rodeado por florestas e morros. Iniciado nos anos 80, o resort foi planejado para que ricos pudessem descansar em suas férias num lugar de luxo. No entanto, antes de sua conclusão, o projeto foi abandonado. Muitos dos trabalhadores que participavam da construção do resort morreram, levando o governo a cancelar a obra.
O resort apresenta casas-cápsulas, onde ocorreram as mortes.
O lugar ficou abandonado durante muitos anos, ninguém se atrevia a entrar lá. Levou a fama de cidade fantasma, e ocorriam boatos de que lá viviam crianças devoradoras de almas.
O lugar ia ser demolido em 2008, mas ocorreram protestos. Todavia foi demolido em 2009.
Uma história interessante, e gostei muito da arquitetura do lugar. Claro, não pude deixar de pensar em uma história para esse lugar. Postarei-a em capítulos, ainda não terminei de escrever. Espero que gostem ;D
Primeiro Post
Olá pessoas, esta é a primeira postagem do Kurai Hime.
Apresentação básica - Kurai Hime significa princesa das trevas em japonês - achei o nome interessante.
Como esse é o primeiro post, vou postar a primeira história macabra que escrevi. Aí vai =D
Encontro com a morte
Fechei os olhos, tentei por um instante fingir que aquilo não era real. Abri-os e não acreditei naquilo que vi. Era o corpo de uma garota; um corpo morto e ensanguentado bem na minha frente. Como era possível? Há pouco tempo eu estava em minha monótona rotina e agora estou aqui de frente para a morte.
Seu olhar era vazio, havia feridas por todo o corpo. Em seu coração havia ódio e em sua face uma expressão de sofrimento. Pude sentir sua sede de vingança por todos aqueles que a fizeram sofrer. Ela se aproximava de mim como se quisesse me dizer algo.
Eu também queria lhe dizer algo, mas não conseguia nem me mexer. Estava paralisada diante daquela criatura, a qual observava com espanto. Ela também me analisava; até que nossos olhos se encontraram.
Lágrimas de sangue escorreram de seus olhos que me encaravam com pena. Como podia aquela figura ter pena de mim? Como ela podia saber alguma coisa da minha vida?
Seu olhar cansado revelava o peso que foi sua vida. Suas feridas mostravam a violência que sofrera em casa. Seu coração me mostrou sua falta de vontade de viver, o que a levou a tomar aquela decisão.
Foi, então, que entendi o sofrimento dela. Uma dor que somente eu poderia entender, pois aquela garota era eu.
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