domingo, 25 de março de 2012

O caso San Zhi - Final




Dia 22 de junho de 1988 - Resort San Zhi - continuação

Lena olhou para trás e viu que Tamashi a encarava com uma expressão séria. As crianças ao redor foram desaparecendo até que só restasse uma. Um vento gelado passava pelo corpo da assistente social. Uma sensação horrível que ela jamais esqueceria. Parecia não conseguir respirar, sentia medo. Aquela figura diante de seus olhos era tão... real. Lena esticou a mão em direção a Tamashi, precisava senti-lo. O garoto deu um passo para trás e riu.
- Brinque mais um pouco com a gente.
E desapareceu. Lena olhava assustada ao seu redor, mas não conseguia ver nada além da escuridão. Chamou por Chi, mas não obteve resposta. Levantou-se e correu, um pouco desnorteada, para onde imaginava estar o resort. De repente algo segurou seu tornozelo com força e ela caiu. Não conseguia enxergar nada, apenas sentia dor. Levantou-se novamente e voltou a correr com certa dificuldade, já conseguia ver as silhuetas das casas cápsulas iluminadas pela lua. Lena corria desesperada, não sabia o que estava acontecendo, não sabia o que fazer. Viu o que parecia ser um corpo perto de uma das casas. As vozes das crianças começaram a cantar novamente.


Dia 25 de junho de 1988 – Departamento de polícia de Taiwan

A assistente social novamente não aparecera para trabalhar naquela manhã. O policial Carl Smith sentia falta de sua colega Lena, desaparecida há três dias. Carl assumira o caso das crianças desaparecidas do orfanato, mas apesar de todos os esforços, ninguém foi encontrado.



   No dia 30 de junho de 1988, um memorial foi feito em homenagem a assistente social Lena Dilggmann e a todas as crianças desaparecidas.
   O orfanato de Taiwan permaneceu funcionando até o falecimento da diretora Naomi Inoue em dezembro de 2001. Sem candidatos para assumir o controle do lugar, as crianças foram transferidas para o orfanato da cidade mais próxima.
   Foi aprovado, por motivos de segurança em 2008, o pedido de demolição do abandonado Resort San Zhi. Mas devido a protestos da população local, o lugar permaneceu intacto. Segundo antigos moradores, entidades em forma de criança vagam pelo resort, devorando a alma de quem vagar por lá.
   Em 2009, o resort de San Zhi foi demolido. Uma escola foi construída no lugar. Há quem diga que, todo ano, alunos desaparecem misteriosamente e que a escola é assombrada pelo espírito de uma jovem moça.
   
FIM

domingo, 4 de março de 2012

A caixa vermelha - Cap. 2



CAPÍTULO 2



Um relâmpago brilhou no céu escuro. Alexia segurava, adormecida, a caixinha nas mãos. Quando abriu os olhos, se assustou. Quanto tempo ficara ali? Levantou-se e correu pela floresta até encontrar o caminho de volta para casa. A festa parecia já ter acabado, devia ser muito tarde. Procurou por Brandon, mas não o encontrou. Deveria ter pensado que ela já havia ido embora. O lugar estava bem bagunçado e o relógio estranho na parede marcava 4 horas da madrugada. Além de tudo de ruim que aconteceu, também perdera a festa. Quando ia começar a chorar novamente, viu Cristopher. Ele não estava muito sóbrio, mas estava lindo. 
- Ah, você ainda está por aqui? É... Alexia, certo?
- S-sim. Desculpe, eu perdi o horário. Já estou de saída.
- Tudo bem, festas são assim mesmo. Eu levo você em casa, é perigoso a essa hora na rua.
O coração de Alexia quase parou. Estava sozinha com Cristopher, ele lembrara de seu nome e ainda estava oferecendo uma carona; aquilo tudo só podia ser um sonho. Os dois permaneceram em silêncio quase todo o caminho, era como se o destino tivesse dado uma segunda chance de falar com Cristopher, mas Alexia simplesmente não conseguia dizer nada. Estava em choque.
- Então, qual delas é a sua casa?
- Ah, desculpe... É a segunda casa depois daquela cerca.
- Certo. Está entregue.
- Obrigada, Cristopher, nem sei como agradecer.
- Imagina, não foi nada. E pode me chamar de Cris.


Alexia se jogou na cama e começou a rir. Não conseguia acreditar no que aconteceu, era realmente maravilhoso. Faltavam apenas sete dias para a sua formatura e as coisas estavam começando a melhorar. Olhou para o retrato de sua mãe ao lado da cama e colocou a mão no pescoço, o pingente não estava mais lá. Alexia sentiu-se triste, mas logo lembrou-se novamente da formatura. Segurou o retrato com força.
- Você sempre sonhou com esse dia, não é, mãe? Com a minha formatura.
Logo adormeceu e, pela primeira vez, não sonhou com sua mãe.


Alexia passou o dia dormindo e pensando na noite anterior. Na manhã em que acordou para ir à escola, estava bem alegre. Colocou a melhor roupa que tinha e comeu seu bolo favorito no café. Na TV passava o noticiário da manhã. Alexia observava, um pouco distraída. Reparou na foto de um militar cujo corpo havia sido encontrado. Era um homem velho e de feições tristes. Sentiu certa tristeza pela morte do homem, ele lembrava um pouco seu avô. Tomou um copo de suco e foi para a escola, estava sentindo que o dia ia ser bom. O metrô estava cheio, mas conseguiu sentar-se ao lado de um senhor de cabelos brancos. Ele sorriu para Alexia; seu olhar era estranhamente familiar, parecia infeliz e distante. Na escola, as coisas pareciam um pouco estranhas também. As pessoas reparavam em Alexia e as vezes até sorriam ou davam bom dia. Na hora do lanche, Cristopher a convidou para sentar com ele e as outras pessoas populares, ficaram falando sobre a festa de formatura. Foi então que ela lembrou que não tinha um par. Por um instante pensou que talvez o seu desejo tivesse dado certo, que sua formatura seria como ela sempre sonhara. Ficou perdida em seus devaneios até que notou a capa do jornal que uma garota estava lendo. Era o militar que aparecera no noticiário, mas parecia que Alexia também o conhecia de outro lugar. Foi então que lembrou do velhinho do ônibus, e uma sensação horrível percorreu seu corpo.


CONTINUA