domingo, 4 de março de 2012
A caixa vermelha - Cap. 2
CAPÍTULO 2
Um relâmpago brilhou no céu escuro. Alexia segurava, adormecida, a caixinha nas mãos. Quando abriu os olhos, se assustou. Quanto tempo ficara ali? Levantou-se e correu pela floresta até encontrar o caminho de volta para casa. A festa parecia já ter acabado, devia ser muito tarde. Procurou por Brandon, mas não o encontrou. Deveria ter pensado que ela já havia ido embora. O lugar estava bem bagunçado e o relógio estranho na parede marcava 4 horas da madrugada. Além de tudo de ruim que aconteceu, também perdera a festa. Quando ia começar a chorar novamente, viu Cristopher. Ele não estava muito sóbrio, mas estava lindo.
- Ah, você ainda está por aqui? É... Alexia, certo?
- S-sim. Desculpe, eu perdi o horário. Já estou de saída.
- Tudo bem, festas são assim mesmo. Eu levo você em casa, é perigoso a essa hora na rua.
O coração de Alexia quase parou. Estava sozinha com Cristopher, ele lembrara de seu nome e ainda estava oferecendo uma carona; aquilo tudo só podia ser um sonho. Os dois permaneceram em silêncio quase todo o caminho, era como se o destino tivesse dado uma segunda chance de falar com Cristopher, mas Alexia simplesmente não conseguia dizer nada. Estava em choque.
- Então, qual delas é a sua casa?
- Ah, desculpe... É a segunda casa depois daquela cerca.
- Certo. Está entregue.
- Obrigada, Cristopher, nem sei como agradecer.
- Imagina, não foi nada. E pode me chamar de Cris.
Alexia se jogou na cama e começou a rir. Não conseguia acreditar no que aconteceu, era realmente maravilhoso. Faltavam apenas sete dias para a sua formatura e as coisas estavam começando a melhorar. Olhou para o retrato de sua mãe ao lado da cama e colocou a mão no pescoço, o pingente não estava mais lá. Alexia sentiu-se triste, mas logo lembrou-se novamente da formatura. Segurou o retrato com força.
- Você sempre sonhou com esse dia, não é, mãe? Com a minha formatura.
Logo adormeceu e, pela primeira vez, não sonhou com sua mãe.
Alexia passou o dia dormindo e pensando na noite anterior. Na manhã em que acordou para ir à escola, estava bem alegre. Colocou a melhor roupa que tinha e comeu seu bolo favorito no café. Na TV passava o noticiário da manhã. Alexia observava, um pouco distraída. Reparou na foto de um militar cujo corpo havia sido encontrado. Era um homem velho e de feições tristes. Sentiu certa tristeza pela morte do homem, ele lembrava um pouco seu avô. Tomou um copo de suco e foi para a escola, estava sentindo que o dia ia ser bom. O metrô estava cheio, mas conseguiu sentar-se ao lado de um senhor de cabelos brancos. Ele sorriu para Alexia; seu olhar era estranhamente familiar, parecia infeliz e distante. Na escola, as coisas pareciam um pouco estranhas também. As pessoas reparavam em Alexia e as vezes até sorriam ou davam bom dia. Na hora do lanche, Cristopher a convidou para sentar com ele e as outras pessoas populares, ficaram falando sobre a festa de formatura. Foi então que ela lembrou que não tinha um par. Por um instante pensou que talvez o seu desejo tivesse dado certo, que sua formatura seria como ela sempre sonhara. Ficou perdida em seus devaneios até que notou a capa do jornal que uma garota estava lendo. Era o militar que aparecera no noticiário, mas parecia que Alexia também o conhecia de outro lugar. Foi então que lembrou do velhinho do ônibus, e uma sensação horrível percorreu seu corpo.
CONTINUA
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