domingo, 12 de fevereiro de 2012
A caixa vermelha - Cap. 1
° Esta história foi escrita em homenagem ao livro Formaturas Infernais - coleção de contos de terror sobre formaturas, escrito por autoras de sucesso.
° Consequentemente acabei escrevendo a história mais no estilo romance infanto-juvenil; não ficou muito assustadora no início, o macabro da história acontece apenas no final (último capítulo). Mas ficou legal, vale a pena ler =D
CAPÍTULO 1
Era noite e a lua brilhava no céu sem estrelas. Alexia pegou a caixinha vermelha e segurou-a frente à fogueira, logo tudo iria acabar. Olhou pela última vez o embrulho em suas mãos, quem dera nunca o tivesse encontrado. Mas agora já era tarde, tudo o que podia fazer era se livrar daquilo. Jogou a caixinha no fogo e observou-a queimar lentamente. As lembranças de tudo o que passara vieram a sua mente e lágrimas escorreram de seus olhos.
Era uma noite igual aquela quando aconteceu. Alexia estava numa festa, acompanhada de seu melhor amigo Brandon, mas não estava se divertindo. Olhava para os lados à procura de uma certa pessoa, mas sempre que a encontrava desviava o olhar rapidamente.
- Tem certeza de que não quer dançar, Ale?
- Tenho.
- Então... Ir na praia ou algo assim. Parece que fizeram uma fogueira por lá e a música está boa.
- Não, obrigada. Estou bem aqui.
- Você não parece bem.
- Olha, B, pode ir, ok? Eu vou ficar bem aqui, vá se divertir.
- Não quero deixar você sozinha, Ale.
- Mas eu quero ficar sozinha. Não se preocupe, pode ir.
Meio relutante, Brandon se levantou. Conhecia bem a amiga teimosa e sabia que não iria convencê-la, mas era realmente chato vê-la ali emburrada. Alexia começou a olhar novamente ao redor, dessa vez fixando bem os olhos naquela figura perfeita no bar. Sem dúvida ele era o amor de sua vida, quem dera reparasse nela. Seu nome era Cristopher, um garoto popular da escola; líder do time de basquete, bonito e inteligente. Alexia se apaixonou por ele desde o primeiro ano do ensino médio, quando o viu pela primeira vez. Queria muito falar com ele, mas estava sempre rodeado de garotas e muito ocupado com festas. Alexia sabia que, para Cristopher, ela era apenas a garota do armário do lado, mais nada. As poucas palavras que trocava com ele no corredor a deixavam feliz e cada vez mais certa de que ele era o cara perfeito. E agora que finalmente havia conseguido um convite para uma de suas festas, estava ali, sentada, sozinha e sem coragem para ir falar com ele. Alexia se sentia patética, não podia continuar com essas atitudes infantis. Cristopher jamais iria gostar. Olhou novamente para o bar, ele ainda estava lá, mas agora sozinho. O coração de Alexia disparou, era sua chance, uma chance do destino. Ela tinha que ir falar com ele, era agora ou nunca. Levantou-se rapidamente e caminhou em direção ao bar, sem tirar os olhos de seu amado. Sentia-se firme, corajosa, ia falar com ele e tudo daria certo. Chegando ao bar, parou bem atrás de Cristopher. Quando ia tocar seu ombro, uma garota loira e bonita sentou ao lado dele e o beijou. Naquela hora, Alexia queria morrer.
Alexia saiu da festa, chorando entristecida. A primeira e única oportunidade para falar com seu amor, perdida. Correu até não aguentar mais e caiu de joelhos, justo quando começou a chover. Estava perdida na floresta que rodeava a casa, saíra da trilha. Enxugou as lágrimas e olhou para o céu repleto de nuvens, parecia ser o fim. Levantou-se e tentou achar o caminho de volta, precisava voltar para casa, o único lugar onde se sentia protegida e confortável. Depois de muito andar, encontrou uma trilha; mas não parecia ser a que levava de volta à casa. Mesmo assim resolveu segui-la. Chegou a uma pequena casinha onde as luzes se encontravam acesas. Não havia porta e as janelas eram bem pequenas. Alexia entrou para abrigar-se da chuva que piorava e sentou-se num pequeno banquinho. O lugar parecia algo como um santuário, para rezar e refletir, isolado do mundo. Desenhos antigos de rosas e corações decoravam o lugar, e no que parecia um altar havia uma pequena caixinha vermelha. Curiosa, Alexia levantou e pegou a caixa. Tinha um desenho de coração na tampa, decorado com um cadeado e uma chave presos à corrente. Não tinha nada trancando a caixa, o que fez Alexia pensar que não haveria problema em dar uma espiadinha. Levantou a tampa lentamente e deparou-se com uma caixa vazia. Vazia como seu coração.
Olhou para o altar, havia uma pequena plaquinha onde estava escrito "Sonhos podem converter-se em realidade, cuidado com o que deseja". Alexia riu; seu sonho se tornar realidade era impossível, sempre foi. Examinou a caixinha em suas mãos e percebeu que havia algo escrito no fundo.
- Um sonho em troca de algo precioso.
Aquele lugar era mesmo misterioso, mas transmitia uma sensação boa e aconchegante. Alexia segurou o pingente do seu colar. Era um anel que ganhara de sua falecida mãe, algo precioso. Retirou o pingente e colocou-o na caixinha, fechou-a e fez um desejo, depois devolveu ao altar. Sabia que seu desejo jamais se tornaria realidade, mas queria fazer aquilo. Talvez um fio de esperança pudesse manter vivo seu coração despedaçado.
CONTINUA
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Fechadura
Quando ouvi esta história pela primeira vez achei bem sinistra. Imagino que dê mais medo contando ou escrevendo do que numa tirinha , então vou contá-la a minha maneira e com um pouco mais de emoção =D
- Ah, com licença senhor. Eu gostaria de alugar um quarto.
O homem olhou assustado para Robert e sorriu, não tinha tido muitos clientes ultimamente.
- Mas é claro, seja bem-vindo! Por favor, fique à vontade.
- Obrigada.
- Aqui está a chave. Quarto cinco, é no primeiro andar à direita.
- Sim, muito obrigada.
- Eu que agradeço, tenha uma boa noite.
Robert foi para o quarto. A cama não era muito confortável e o banheiro demasiadamente pequeno, mas como estava cansado tomou uma ducha rápida e foi deitar. Já havia perdido a fome e logo adormeceu. Acordou algumas horas mais tarde ouvindo alguns barulhos na parede, vindos do quarto ao lado. Olhou o relógio, eram 3 horas da manhã. Tentou ignorar e dormir de novo, mas era impossível. Robert deu um soco na parede e pediu silêncio, o barulho parou seguido de um grito. Robert levantou-se assustado, o que estava acontecendo naquele quarto? Colocou uma camiseta e bateu na porta do quarto de número seis, ninguém respondeu. Tentou abrir e nada. Olhou então curioso pela fechadura e viu tudo vermelho. Não querem ser incomodados, pensou. Como os barulhos pararam, voltou a dormir.
Na manhã seguinte, Robert tomou seu café e foi acertar as contas na recepção. Comentou com o senhor o que havia acontecido na madrugada. O velhinho olhou-o, intrigado.
- Quarto seis? Está fechado faz anos. Uma mulher morreu lá, desde então interditamos o lugar. Mas dizem que seu espírito ainda vive ali e tudo o que se sabe é que seus olhos são vermelhos.
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