A história aconteceu em um dia quente de verão. Havia chovido, mas o sol voltara. Eu estava na casa de uma das minhas primas vendo filme, quando de repente ouvimos um barulho. Pareciam passos, mas foram se tornando agudos até que pararam e ouvimos o som de algo se quebrando. A casa era grande, estávamos apenas com uma prima menor e nossa avó. Ambas estavam no quarto vendo TV, logo não poderiam ser elas as causadoras do barulho, já que o som parecia vir da cozinha. A sala onde estávamos era perto da cozinha. Como num passe de mágica, o tempo que há pouco abrira começou a fechar. O céu se tornou nublado, e ouvimos o barulho novamente, porém um pouco mais longe. Ao lado da casa havia uma piscina, onde se encontrava também a garagem, a churrasqueira e uma passagem para o jardim que cercava a casa.
O grande portão estava fechado, porém destrancado. O barulho estranho produzia-se agora, aos nossos ouvidos, perto da piscina, e o medo tomou conta de nós fortemente. Verificamos o quarto onde se encontravam nossas parentas; nossa avó e nossa prima haviam adormecido. Ambas indefesas por conta da idade, não poderiam nos ajudar em nada. Achamos mais seguro deixá-las ali e verificarmos o barulho estranho nós mesmas. Fomos andando silenciosamente até a cozinha, onde pretendíamos espiar a parte de fora da casa pela pequena janela em cima da pia. O tempo nublado dificultava nossa visão, a chuva voltara e começara a trovejar.
Apesar da forte tempestade, ainda podíamos ouvir o barulho estranho, embora estivesse aparentemente longe. Podíamos ver as árvores do jardim através das grandes janelas de vidro, balançando na escuridão mortal. De repente as luzes começaram a piscar e apagaram. Eu e minha prima gritamos, a cena parecia um filme de terror, o medo aumentava cada vez mais. Até pensei em voltar para o quarto de nossas parentas, mas de nada adiantaria. Ambas tinham sono pesado e estariam mais seguras ali. Seja lá o que fosse o barulho, estava fora da casa. Imaginei que não poderia ser um ladrão, já que Terry, o cachorro, estava solto e, se tivesse alguém la fora, ele provavelmente já teria latido.
O barulho estranho aumentava à medida que nos aproximávamos da cozinha, certamente vinha lá de fora. Espiamos pela janela, mas nada vimos por conta da escuridão. Já estávamos indo em direção ao armário para procurar uma lanterna quando vi um clarão. A luz do relâmpago iluminou por um segundo a parte de fora, e percebi uma mancha estranha perto da churrasqueira. Eu e minha prima encontramos a lanterna e fomos ver o que estava lá fora. Uma parte de mim estava repleta de medo e me impedia de ir. Outra, porém, dizia que era necessário. A churrasqueira era coberta, assim estaríamos protegidas da chuva.
A porta que dava acesso à parte externa da casa estava aberta e batia com a força do vento, mas não era este o barulho estranho que ouvíamos. Passamos para a varanda e fomos em direção à churrasqueira. No instante em que fitamos o chão, surgiu outro relâmpago, iluminando a mancha que se revelou uma poça de sangue, que escorria junto à chuva. Eu e minha prima ficamos horrorizadas com o que víamos. Estávamos com muito medo, pois sabíamos que encontraríamos a fonte da poça de sangue atrás do balcão, e nenhuma de nós queria olhar. O pânico tomou conta de nós, porém eu precisava ser racional. Foi então que me ocorreu. Eu não vira Terry desde que saímos da casa. Ele deveria estar ali, pois é a única parte coberta onde poderia se proteger da chuva, e por ser um Rottweiler não pode ficar dentro da casa. Foi então que imaginei o que se encontrava atrás do balcão.
Apesar de minha prima ter visto o sangue, eu não queria que ela visse o seu cachorro morto e ensanguentado. Mandei que ela voltasse para casa, apesar do meu medo de ficar sozinha, ainda mais com algo ali fora, pois eu sabia que o cachorro não poderia ter se matado. Minha prima, apesar de ser mais nova que eu, não me obedeceu. Ela sabia que eu seria persistente quanto a isso, e foi seguindo o rastro de sangue ate o balcão. Ela olhava incrédula para o que estava ali atrás e, apesar de eu não poder ver o que era de onde estava, sabia o que só podia ser o cachorro. Ela derrubou a lanterna no chão, colocou as mãos no rosto e começou a chorar desesperadamente, correu em minha direção e me abraçou bem forte.
Tentei consolá-la dizendo que Terry já era velho, que tivera uma vida feliz e que provavelmente morreu tentando defender a casa e a si mesmo. Foi então que ela parou de chorar, me olhou nos olhos e disse:
- Terry?
Nunca pensei que aquela palavra iria me assustar mais do que a cena que vivíamos. Se não era Terry que estava ali, então o que era? Soltei minha prima e fui ver o que se encontrava atrás do balcão. Nunca mais vou esquecer o que vi. Pois ali, bem na minha frente, morto e cheio de sangue, estava nada mais e nada menos do que o meu próprio corpo.
Virei na direção de minha prima tentando buscar uma explicação, mas no instante em que me virei, ela havia sumido. Virei-me novamente para o corpo no chão, mas este também havia sumido. Encontrei-me então sozinha e confusa na escuridão assustadora.

não li porque nao gosto de historia de terror! mas o blog ta bem massa hahaha, parabeeeeeeeeeeeeeeeeeeeens!!
ResponderExcluirby alê
Oi, obrigada ;D
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