terça-feira, 24 de janeiro de 2012
O caso San Zhi - Cap.2
Dia 14 de junho de 1988 - orfanato
- Vamos crianças, é hora de levantar! Ja está na hora de tomar café!
- Dona Naomi, Chi não está no quarto! Eu não o encontro em lugar algum!
- De novo? Mas será possível que esse menino não aprende?
Naomi correu para o pátio. Sabia dos passeios noturnos de Chi e até tentava evitá-los, mas o menino era esperto. Gostava de todas as crianças do orfanato como se fossem suas, não queria perdê-las como perdeu o filho. A partir de agora teria que tomar providências mais sérias, não poderia suportar mais crianças desaparecidas.
Dia 15 de junho de 1988 - orfanato
Naomi agora estava seriamente preocupada. O garoto jamais demorara em seus passeios, havia realmente sumido. Sentiu um aperto no coração, era sua culpa. Deveria ter sido mais rigorosa com o garoto e acabado de vez com suas traquinagens de fugir à noite. De repente viu um garoto muito sujo e machucado sentado no balanço. Era Chi.
- Chi! Chi! Onde você estava, moleque? Responda! Você está seriamente encrencado! Olha só pra você! Todo sujo e machucado! O que você andou aprontando, hein? Chi, olhe para mim quando eu falar com você!
O garoto parecia depressivo. Olhava para o chão com uma expressão triste.
- Chi, o que aconteceu com você? Por que não me conta?
- Eles só queriam brincar...
- Quem queria brincar, Chi?
- Eles só... queriam brincar... comigo.
- Quem, Chi? Quem queria brincar com você?
- Eles disseram que eu podia ir. Podia ir se trouxesse mais amigos para brincar.
- Chi, eu preciso que você me diga quem para que eu possa te ajudar.
- Eu tenho que voltar... e levar mais amigos. Amigos para brincar...
- Chi! Voltar aonde? Onde você estava?
- ... eles disseram. Eu preciso levar.
- Chi!
Dia 18 de junho de 1988 - departamento de polícia de Taiwan
Lena trabalhava para a polícia de Taiwan como assistente social, era formada em psicologia. Gostava de seu trabalho, apesar de muitas vezes não conseguir dormir à noite, assombrada pelos pensamentos da dura realidade de muitas crianças. Mas poder ajudá-las já era um enorme alívio em sua consciência. Chegou cedo no departamento essa manhã, pegou uma grande xícara de café e foi para sua sala. Olhou a pilha de pastas recém-colocadas em sua mesa, era enorme. Sentou-se na cadeira e tomou um grande gole de café.
- Bom, vamos trabalhar.
Colocou a mão sobre a primeira pasta e parou. Havia algo engraçado naquela pilha, todas as pastas eram de cor branca, exceto uma bem no final de cor amarelada. Lena puxou a pasta estranha e abriu. Era um arquivo muito antigo de um menino desaparecido há 30 anos, possuía um carimbo de caso abandonado. Não gostava de mexer nos arquivos antigos da polícia, doía só de pensar em saber quantos casos haviam sido esquecidos. Devem ter colocado por engano, pensou. Deixou a pasta velha de lado e voltou-se para sua pilha, pegando a primeira pasta. Tratava-se de uma criança desaparecida do orfanato. Parece que havia voltado, porém apresentava um comportamento estranho. Lena tomou mais um gole de seu café e encarou a foto do menino, tinha feições muito bonitas e alegres. Simpatizou-se com o retrato do menino, ia fazer-lhe uma visita.
CONTINUA
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário