quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Para sempre meu




Serena caminhava pelo cemitério todas as noites, ia visitar o túmulo de seu amado. Levava rosas brancas todas as vezes, pois estas representavam sua paixão ainda viva por ele. Do túmulo Serena podia ver o mar, uma vista privilegiada. Enquanto cantava uma música triste, retirou a rosa murcha, substituindo por uma nova. Fechou os olhos e pensou no amor, um sentimento eterno. Tão bonito, mas ao mesmo tempo tão doído. Lágrimas escorreram de seus olhos. Serena sorriu; acariciava o túmulo com a mão. 


   Lembrava de cada momento que passara perto dele, cada segundo fora importante. O primeiro dia em que o viu, no parque, admirando a paisagem. Tão perfeito, sentado no banco à luz da lua. Foi paixão à primeira vista. Serena passara a frequentar o parque todas as noites, e todas as noites ele estava lá, sentado. Espiá-lo passou a ser seu vício, precisava vê-lo para sentir-se viva. Os dias foram passando, até uma noite fatídica. Quando Serena foi ver seu amado, ele não estava sozinho. Sentiu um aperto no coração, a pessoa em seus braços não era ela. Aquilo estava errado. Ouvir os sussurros dos dois, as carícias, os abraços... Tudo era dolorido. Viver agora era um sofrimento.


   Depois de alguns meses Serena decidiu acabar com aquilo, e seria naquela noite. No horário de sempre, lá estava ela. Escondida atrás da árvore, fitava seu amado com dor no coração; feridas que não cicatrizavam. Segurou a faca com força, precisava fazer aquilo. Quando a garota chegou e sentou-se no banco, Serena saiu de seu esconderijo. O casal apaixonado olhava assustado para aquela figura que segurava a faca sobre seu próprio pescoço. O rapaz imediatamente se levantou, não iria permitir uma vida ser tirada diante de seus olhos. A garota agarrada em seu braço começou a chorar. Serena sentiu ódio. Apontou a faca para os dois. Ela tinha tinha que fazer aquilo. O garoto imediatamente colocou-se em frente à menina para protegê-la, tomado de desespero. "Você não precisa fazer isso", dizia o garoto. Mas ela sentia que precisava, era a única maneira de acabar com aquele sofrimento. Era a única maneira de salvá-lo. Ele percebeu a certeza no olhar dela e mandou a outra garota correr. Serena chorou. Se o coração dele jamais poderia ser dela, então não seria de mais ninguém. Imediatamente ela abraçou o garoto e cravou a faca em seu coração, sussurrando em seu ouvido, "Eu te amo".


Suas últimas lembranças eram as mais doloridas, lágrimas caíram sobre as rosas. Serena beijou a última flor em sua mão e colocou-a no túmulo, "para sempre meu".     



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